NUEVO Debate – Violência nas Organizações, com o professor Dr. José Henrique de Faria

Transcrição e Resumo por

Karina Rossetto Obrzut

De acordo com o professor, Dr. José Henrique Faria, o modo de produção dentro do sistema capitalista modificou-se com o desenvolvimento de novas tecnologias físicas, isto é, com o avanço de ferramentas e equipamentos utilizados pelo trabalhador, proporcionando um aumento significativo de produtividade. Assim, diz ele, também houve um desenvolvimento da tecnologia de gestão, a qual se modernizou e sofisticou para um maior controle da subjetividade do funcionário. Todavia, Faria salienta que o capitalismo continua operando apenas com a ética do lucro.

Nesse sentindo, o professor comenta que a relação do trabalhador com a sua produção sofreu alterações ao longo dos séculos. Atualmente, o indivíduo não detém o conhecimento completo sob aquilo que produz e não é mais o proprietário do seu objeto de trabalho, pois a sua produção é para o outro. Dessa forma, a violência se mostra como algo instituído de maneira planejada nas organizações, sendo tanto física quanto psicológica.

Faria explica que a violência se configura como uma estratégia do capital para a dominação completa do sujeito. Para tanto, ocorre por meio da dissimulação discursiva, na qual a exploração do trabalhador é camuflada em frases que motivadoras para a continuidade do ritmo acelerado de produção, e do sequestro da subjetividade, quando o capital toma posse da relação amorosa entre o trabalhador e a sua produção para utilizá-la como um artifício para aumentar a produtividade.

O professor aponta que uma das consequências mais graves dessas práticas é a incorporação, por parte do trabalhador, dos discursos criados pelas empresas. Desse modo, o trabalhador se coloca como um colaborador da instituição e absorve os seus valores, os reproduzindo aos seus colegas como se fossem os seus próprios ideais. Contudo, Faria ressalta que isso ocorre como uma forma de defesa do sujeito para diminuir os efeitos da violência.

 Faria afirma que o enfrentamento dessa problemática só é possível coletivamente, a partir da união dos indivíduos que se sentem vítimas, e pela divulgação das formas de violência aos trabalhadores. Ele encerra enfatizando que a melhor maneira de se combater a violência é com o diálogo.            

Confira a entrevista completa:

O Nuevo Debate é uma parceria com a UFPR TV e tem como objetivo a divulgação de entrevistas de acadêmicos e pesquisadores, com a finalidade de popularizar o conhecimento científico.

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