Divulgação: A percepção de servidores universitários sobre as políticas, ações e discursos institucionais sobre o assédio moral no trabalho

Thiago Soares Nunes

Suzana da Rosa Tolfo

Leonor María Cantera Espinosa

O trabalho publicado na Revista Organizações em Contexto em 2019 (v. 15, n. 29), intitulado “A percepção de servidores universitários sobre as políticas, ações e discursos institucionais sobre o assédio moral no trabalho”  é parte de uma pesquisa de doutorado sobre a influência da cultura organizacional na ocorrência do assédio moral em Universidade. O artigo teve por objetivo identificar a percepção dos servidores docentes e técnico-administrativos de uma universidade federal, localizada no Sul do Brasil, em relação às práticas e discursos organizacionais sobre o assédio moral no trabalho. O foco estava em entender o abismo entre os discursos e as práticas, relacionados, principalmente, às estratégias de intervenção, combate e prevenção ao assédio moral.

A pesquisa foi divulgada por e-mail para os docentes e técnicos, e também pelo sistema de divulgação da universidade. Ao total, obtivemos 214 respostas do questionário online e foram realizadas 12 entrevistas. Para a análise dos dados, utilizou-se estatística descritiva e análise de conteúdo.

O assédio moral no trabalho é considerado tão antigo quanto o próprio trabalho, no entanto, é nas últimas décadas que tem se tornado um tema de interesse dos pesquisadores e pela própria sociedade devido ao seu caráter destrutivo. Apesar da massiva quantidade de informações as quais temos acesso nos dias atuais, o tema ainda é banalizado. Muitas vezes o indivíduo tem conhecimento da gravidade do assédio moral, mas não consegue identificar elementos que são importantes para a sua caracterização – como a frequência e duração.

Consideramos o assédio moral como

[…] uma conduta abusiva, intencional, frequente e repetida, que ocorre no meio ambiente laboral, cuja causalidade se relaciona com as formas de organizar o trabalho e a cultura organizacional, que visa humilhar e desqualificar um indivíduo ou um grupo, degradando as suas condições de trabalho, atingindo a sua dignidade e colocando em risco a sua integridade pessoal e profissional (HELOANI; BARRETO, 2018, p. 53).

Fica evidente que não se trata apenas de um aspecto interpessoal, relação de agressor e alvo, mas que envolve a organização, suas práticas e cultura. Desta forma, a organização se torna corresponsável pela ocorrência do problema ou pela isenção dos comportamentos e estratégias hostis. Portanto, cabe principalmente aos gestores organizacionais definirem estratégias e aplicar medidas de prevenção, intervenção e combate ao assédio moral.

Por sua vez, a maioria dos participantes evidenciou que o posicionamento da Universidade não é claro (43%), ou seja, enfatizam que suas políticas e ações não demonstra claramente seu posicionamento frente ao assédio moral. Tal resultado pode promover, por exemplo, o descrédito dos gestores e da própria organização, além do medo de não expor as hostilidades vivenciadas no ambiente laboral, pois não se tem conhecimento da efetividade da ação da universidade e também por medo de alguma represália.

Os dados levantados ressaltam a falta de atuação da instituição frente a situações antiéticas de maus comportamentos e práticas inadequadas no ambiente laboral. No discurso a teoria é excelente, porém, efetivamente o que interessa e é importante para o trabalhador são ações corretas e efetivas para cessar com estas violências. Em contrapartida, algumas iniciativas (como cartilhas e atendimento psicológico) foram executadas por grupos de pesquisas e extensão e determinados setores que preencheram um espaço carente de informação e assistência para aqueles que sofrem/sofreram da violência, porém não foi identificada nenhuma ação mais específica da gestão da universidade.

Por fim, vale ressaltar que as organizações, de forma geral, apresentam similaridades ao ambiente estudado. Os dados obtidos na pesquisa podem ser generalizados tanto para instituições universitárias quanto para outras de setores distintos, quando se verifica resultados de outras pesquisas. Evidencia-se que existe um abismo entre o discurso e a prática nas ações, estratégias e políticas de intervenção, prevenção e combate ao assédio moral nas mais diversas organizações. Questionar o porquê desta dessa situação é algo que precisa ser feito a todo o momento, seja pelos órgãos competentes assim como pelos trabalhadores e sindicatos.

Para conferir o artigo completo, acesse o link:

http://www.spell.org.br/documentos/ver/52102/a-percepcao-de-servidores-universitarios-sobre-as-politicas–acoes-e-discursos-institucionais-sobre-o-assedio-moral-no-trabalho-/i/pt-br

Referências:

HELOANI, R.; BARRETO, M. Assédio moral: gestão por humilhação. Curitiba, PR: Juruá, 2018.

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