NUEVO Debate – Violência Organizacional e Recursos Humanos, com o professor Dr. Fábio Vizeu

Transcrição e resumo por

Karina Rossetto Obrzut

Segundo o professor Dr. Fábio Vizeu, para o mercado de trabalho atual, o trabalhador ideal é o sujeito multifuncional, que possui competências para a atuação em vários campos e busca ativamente por oportunidades, anseia agressivamente por resultados e metas, está sempre inovando a sua forma de trabalhar, e nunca questiona os interesses da organização, sendo completamente subserviente a eles.

Sendo assim, prossegue o professor, as empresas constroem um falso discurso de felicidade no trabalho para atrair os bons profissionais. As organizações defendem que os seus espaços devem ser felizes e agradáveis, em uma tentativa de encobrir as reais condições de trabalho, como um ambiente desgastante, opressivo, e aumentar a produtividade dos funcionários. O entrevistado ressalta que o trabalhador, de fato, consegue perceber essa situação, porém, acaba culpando terceiros, como a sociedade, ou até mesmo ele próprio ao assumir e reproduzir esses discursos.

Nesse sentido, Vizeu explica que a violência organizacional é ocultada através de estratégias de polidez, como a larga utilização do termo “desafio” sempre que será apresentada uma nova meta aos funcionários. Aponta que a promoção, e os benefícios, também integram esses artifícios, operando como motivadores para o funcionário superar tanto as metas da empresa, quanto as suas próprias metas. Essa situação, diz o professor, desencadeia quadros de ansiedade, estresse e depressão nos trabalhadores.

Vizeu comenta que a violência organizacional está sistematizada dentro das próprias estruturas das organizações, e não só ocorre, como é legitimada, por meio de práticas burocráticas. Um exemplo citado foi a monitoração de e-mails, dos funcionários, realizada por muitas empresas sob a justificativa de ser uma norma da organização, quando, na verdade, é uma grande invasão de privacidade dos indivíduos. Além disso, ele alerta que essas práticas podem gerar outras manifestações de violência, como o estímulo à competitividade predatória e levar ao assédio moral.

O professor encerra afirmando que o primeiro passo para alcançar a resolução dessa problemática, bem como um dos mais importantes, é a tomada de consciência, por parte do trabalhador, sobre a ilusão criada pelos mecanismos discursivos das empresas. Desse modo, o sujeito poderá conhecer mais claramente os seus direitos e não ficará refém dos subterfúgios criados pelas organizações.

Confira a entrevista completa:

O Nuevo Debate é uma parceria com a UFPR TV e tem como objetivo a divulgação de entrevistas de acadêmicos e pesquisadores, com a finalidade de popularizar o conhecimento científico.

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