A arte que nos afeta, a arte que nos transforma, a arte que nos encanta

Fonte: Photo de Daian Gan provenant de Pexels

Luciana Martha Silveira¹

Há bastante tempo nos perguntamos qual seria a serventia da arte. Vários autores e autoras se debruçaram sobre esta questão, para tentar entender a relação de necessidade entre a materialização de uma forma de expressão artística e os seres viventes de uma sociedade. Em todas as culturas, em todos os tempos da história e da chamada pré-história, a expressão artística esteve presente.

A discussão sobre uma possível função da arte, juntamente com a filosofia, a ciência e as humanidades, já se fez presente em diversos momentos. São teorias bastante discutidas em relação à sua compreensão. Em tempos de pandemia e consequente necessidade de isolamento social, o papel da arte na nossa sociedade fica novamente evidente: precisamos dela!

A arte, em todas as suas formas de expressão, nos ajuda a elaborar o pensamento, a construir e atualizar os significados dos objetos e dos sentimentos, exercita a nossa imaginação e nos coloca continuamente a importância da nossa história e memória para viver em sociedade. Tudo isso em um processo dinâmico de contínua transformação, encantamento e reencantamento.

Sou artista, professora e também espectadora. Como tal, posso dizer que a arte transforma e encanta tanto quem a propõe, quanto quem a vivencia.

A relação de vivência das expressões artísticas exige coragem, pois para transformar a vida de quem a vivencia, a arte afeta. Quando a relação com a arte é uma relação de afeto, nos deixamos afetar, nos deixamos encantar.

Uma artista sempre convida à apreciação de seu trabalho. Se este convite é aceito, um canal de sensibilidade se estabelece, capaz de expandir a forma de perceber o mundo, reencantando-o continuamente. A expansão de percepção deste mundo se dá na troca de lugar com personagens, vivenciando as angústias internas de outra forma, vestindo cores e sons para atuar em um outro papel.

Caso não se aceite o convite da artista e a relação é de indiferença ao seu trabalho, ainda assim a arte transforma, pois essa indiferença deixa evidente a recusa, a negação. O potencial de expansão da sensibilidade acontece quando se percebe que outras experiências são mais importantes do que aquela pintura, escultura ou performance.

Pelo lado da artista que propõe essas possíveis relações, a transformação é ainda mais evidente. No processo de concepção e construção da obra, a artista consegue vestir vários personagens, viver várias cores, sons e cheiros. Na relação com outras obras e outros artistas, a expansão se dá no sentido da resolução de problemas estéticos, ampliando as possibilidades.

Diante da obra terminada, a artista pode, por um lado, se orgulhar quando vê materializada em expressão artística tudo aquilo que imaginou, se encantando com os resultados. Se, por outro lado, sente que não deu certo, ou que o resultado não é aquilo que imaginou, o processo de materialização da obra ajuda a lidar com frustrações, forçando o aprendizado através do caminho, na negociação com as emoções, com os materiais, com as possibilidades e impossibilidades.

Sim, a arte afeta, a arte transforma, a arte encanta. Temos necessidade da relação com a arte todos os dias.

Luciana Silveira, Too Much Flores, aquarela sobre papel, 80cmX65cm, 2019

Para entrar em contato com a artista:

Email: silveira.lucianam@gmail.com

Instagran: @luciana.martha.silveira

Behance: www.behance.net/lucianasilveira

¹Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Pós-Doutorado na Universidade de Michigan. Professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Como citar:
SILVEIRA, Luciana Martha. A arte que nos afeta, a arte que nos transforma, a arte que nos encanta. In: Nuevo Blog, 26 Jun. 2020. Disponível em: https://nuevoblog.com/2020/06/26/a-arte-que-nos-afeta-a-arte-que-nos-transforma-a-arte-que-nos-encanta/. Acesso em: ??

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