NUEVO Debate – O Futebol e a Violência no Brasil, com professor Dr. Maurício Murad

Fonte: Justificando (03 mar. 2015)

Transcrição e resumo por

Karina Rossetto Obrzut

De acordo com o Dr. Maurício Murad, o futebol constitui uma das mais importantes e profundas formas de expressão da cultura brasileira. Esse esporte, diz ele, comporta as contradições e os dilemas de nossa sociedade, bem como as possibilidades de superação e melhorias das condições de vida no Brasil, pois ele, historicamente, está inserido nas lutas sociais. Além disso, ressalta que o futebol representa um capítulo de resistência para a inclusão daqueles que estão à margem, tendo em vista que o nosso país sempre foi permeado pela exclusão social.

O professor prossegue comentando sobre uma perspectiva que coloca o futebol como um aparelho ideológico do Estado, ponderando que esse esporte em si não é político, porém, ele é utilizado de forma política e ideológica pelos poderosos. Murad argumenta que todo o evento cultural capaz de alcançar a alma popular, como é o caso do futebol, é tomado pela elite para esses fins. Por conseguinte, o entrevistado trata sobre a violência que está impregnada no futebol, a qual vai muito além da agressão física entre as torcidas. Ele destaca a alta desigualdade salarial dos jogadores, o falso estrelato vendido pela mídia e os longos períodos em que os atletas ficam afastados dos campos como as principais manifestações violentas que não são vistas pelo público.

Ainda sobre a mídia, o professor aponta que é aberto um grande espaço para a violência entre os torcedores, e pouca atenção é destinada para os setores pacíficos das torcidas. Para Murad, ao invés disso, a mídia deveria fomentar a discussão entre as causas dessas práticas violentas, a cobrança de uma atuação mais eficaz das autoridades e exercer um papel reeducativo no futebol, trabalhando mais a avaliação do que a espetacularização.

Em relação a polícia, Murad destaca que a atuação dessa instituição na segurança do futebol brasileiro está ultrapassada, sendo extremamente focada na repressão. Segundo ele, falta um plano estratégico nacional que sirva de base para todo o país. Por fim, o professor enfatiza que a repressão deve ser aplicada em um curto prazo, enquanto a prevenção deve vir em um médio prazo e a reeducação em um longo prazo para que se minimize a problemática.

Confira a entrevista completa:

O Nuevo Debate é uma parceria com a UFPR TV e tem como objetivo a divulgação de entrevistas de acadêmicos e pesquisadores, com a finalidade de popularizar o conhecimento científico.

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