O que se escreve mesmo sabendo que tudo não passa de uma crença

Por Francis Kanashiro Meneghetti

Entendo que existem três crenças que nos mobilizam. São raras as pessoas que não as tenham como teleologia.

São elas:

Existe um propósito para nossa existência.

O futuro nos reserva algo melhor.

No final, o bem vence o mal. 

Na primeira, independente se uma pessoa acredite que há vida após a morte ou não, a existência se constitui como um fato per se. Independente do resultado que se espera, existir já é condicionante de que algo não permanecerá como está. A questão é saber se somos e conseguimos ser protagonistas das nossas próprias ações ou se ao menos somos capazes de dar sentido a nossa existência. 

Na segunda, a existência é fundamentada a partir da ideia que somos seres que desejamos no próprio tempo. Pensar o vir-a-ser como múltiplas possibilidades a se realizar em uma teleologia é em si mesmo a existência do querer como vontade de potência. Mesmo que desejemos o pior para nós e nossa existência é  em si querer a vitória e realização da onipotência do pensamento. O futuro como vir-a-ser é o que garante a própria existência do desejo.

A terceira, credita a existência do livre-arbítrio como condição do ser que está embrenhado na teleologia como consequência do vir-a-ser a partir da onipotência do pensamento. O que caracteriza o livre-arbítrio é a faculdade de julgar e ser julgado, sempre dentro da existência que se constitui no tempo como imperativo do ser.

Essas três crenças nos ajudam a pensar que, independente da ideologia, da religião, de convicções políticas, da compreensão de mundo, elas estão no fundamento das ações da grande maioria das pessoas. Até mesmo os extremistas – os satanistas, os céticos, os dogmáticos,  por exemplo – acabam valendo-se dessas crenças para poderem existir. Isso ocorre porque ninguém se desvencilha do elemento hermenêutico essencial que compõem os conceitos que estão associados na composição das três proposições formativas que estruturam as crenças. Por fim, tudo só poderia ser uma fantasia, ou mesmo delírio, se a verdade existisse e fosse cognoscível a nós! Mas, admito! Tudo pode ser uma questão de crenças!


Francis Kanashiro Meneghetti é Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Professor no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade e no Programa de Pós-Graduação em Administração pela Universidade tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

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