NUEVO Debate – Transexualidade e Discriminação no Trabalho, com a Dra. Berenice Bento


Fonte: Site Gauchazh (11 jan. 2017)

Transcrição e Resumo por

Karina Rossetto Obrzut

A Dra. Berenice Bento inicia a entrevista explicando o significado de gênero. Segundo ela, essa definição irá depende da corrente teórica utilizada, e a mais aceita atualmente diz respeito ao gênero como estando vinculado a uma estrutura corpórea, ou seja, o indivíduo é tido como mulher por ter nascido com vagina e homem por ter nascido com pênis. Em contraponto com essa perspectiva, há uma concepção que defende a não existência de um corpo naturalmente “de homem” ou “de mulher”, e vincula gênero a como o sujeito atua no mundo e como deseja ser reconhecido socialmente.

Por conseguinte, a professora trata sobre os desafios encontrados pela pessoa que trânsita. Tendo em vista que a humanidade é pensada como dividida entre homens e mulheres, quando um indivíduo assume publicamente que aquele corpo, o qual a sociedade prometeu que daria sentido para a sua vida, não representa mais nada para ele e deseja mudar o seu lugar e a forma como é reconhecido, todas as portas são fechadas. Sendo assim, a entrevistada avalia que a sociedade, ao invés de repensar os seus conceitos de humanidade e observar como eles causam dor e sofrimento para inúmeros sujeitos, prefere seguir pelo caminho mais fácil, excluindo aqueles que são classificados como diferentes, para que se possa manter a falsa ordem e harmonia social.

Em relação ao mercado de trabalho, Bento aponta que os transexuais enfrentam obstáculos desde a sua qualificação profissional. Ela comenta que, até à obtenção do diploma, muitos preferem manter a sua verdadeira identidade de gênero em segredo para evitar situações constrangedoras para eles, e, quando resolvem se apresentar socialmente como realmente se identificam, são eliminados dos processos seletivos de empresas por se portarem com práticas que não correspondem ao gênero especificado em seus documentos.

Por fim, a professora destaca algumas iniciativas que visam amenizar as dificuldades trabalhistas encontradas por pessoas trans. De acordo com ela, em São Paulo, existe um projeto chamado “TransEmprego”, o qual foi criado por ativistas transexuais e conecta pessoas transexuais à empresas dispostas a contratar esses indivíduos, e também há o “Transerviço”, também idealizado por ativistas trans, abrindo um espaço para transexuais oferecem seus serviços.

Confira a entrevista completa:

O Nuevo Debate é uma parceria com a UFPR TV e tem como objetivo a divulgação de entrevistas de acadêmicos e pesquisadores, com a finalidade de popularizar o conhecimento científico.

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