NUEVO Debate – Precarização das Relações Trabalhistas, com o professor Dr. Ricardo Lobato Torres

Resumo e Transcrição por

Karina Rossetto Obrzut

A primeira reflexão feita pelo Dr. Ricardo Lobato Torres diz respeito a importância de se discutir esse tema, pois ele não só é determinante para os trabalhadores que já estão ativos no mercado de trabalho, como também é para o futuro das próximas gerações. Posto isso, ele explica que inúmeros direitos dos trabalhadores estão sendo colocados em risco com as reformas trabalhistas anunciadas em meados de 2017.

Segundo o professor, a alteração de determinados elementos, como a redução do intervalo de almoço, afastamento por gravidez somente se a função profissional se enquadrar em altamente insalubre e possibilidade de acordos individuais, surgem como fatores que fragilizam as relações dos empregados com seus empregadores. No quesito da negociação individual, Torres destaca como isso ocorreria de modo altamente desigual, uma vez que o patrão sempre terá um poderio maior sobre aquele que exerce uma função dentro da organização, enfraquecendo o poder do funcionário de colocar algo que seja proveitoso para a sua parte.

Nesse sentido, o entrevistado prossegue tratando sobre como isso pode impactar na economia do nosso país. Conforme diz, o desenvolvimento industrial brasileiro se deu voltado para dentro, sendo o setor interno visto como o público-alvo, logo, o esperado é que os indivíduos também tenham uma capacidade de aquisição razoável. Todavia, o professor alerta que as reformas trabalhistas podem levar a um achatamento salarial e aumento do desemprego, diminuindo a renda do trabalhador e a demanda de consumo. Com isso, ele aponta para uma retração econômica e perspectivas ruins e longínquas de melhora nos setores que mais geram empregos.

Além disso, Torres também indica para uma consolidação da precarização das condições trabalhistas. O professor alega que, com o aumento do desemprego e a conseqüente redução de renda, a situação financeira dos trabalhadores torna-se mais frágil e eles tendem a submeter-se mais facilmente à condições abusivas de trabalho em troca de conseguirem alguma entrada de dinheiro para sobreviverem.

Para concluir, observa que essas reformas provavelmente serão, de fato, aprovadas e será difícil revertê-las em um curto prazo. Todavia, Torres enfatiza que a via eleitoral é o melhor caminho para que a sociedade consiga contornar esse quadro, elegendo representantes verdadeiramente comprometidos com a defesa das causas trabalhistas.

Assista a entrevista completa:

O Nuevo Debate é uma parceria entre a UFPR TV e tem como objetivo a divulgação de entrevistas de acadêmicos e pesquisadores, com a finalidade de popularizar o conhecimento científico.

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