NUEVO Debate – Os Sentidos do Trabalho no Contexto Organizacional, com a professora Dra. Andrea Poleto Oltramari

Fonte: RH Magazine (16 abr. 2019)

Resumo e transcrição por

Karina Rossetto Obrzut

Segundo a professora Dra. Andrea Poleto Oltramari, as linhas limítrofes entre vida profissional, social e familiar estão cada vez mais tênues no contexto organizacional contemporâneo. Olhar para a carreira, diz ela, é olhar para um sujeito atravessado pelo trabalho e pelas tecnologias atuais, instigado a buscar o sucesso e prestígio no mundo corporativo independentemente dos meios e sacrifícios necessários.

Nesse sentido, continua a professora, os âmbitos pessoais do indivíduo acabam sendo bastante ameaçados e, de certo modo, corrompidos. Conforme a sua pesquisa, explica que muitos trabalhadores de cargos mais altos, como gerentes bancários, são obrigados a abdicarem de inúmeros momentos familiares e sociais em prol de manterem o desempenho profissional esperado pela instituição. Entretanto, pondera que é o próprio círculo íntimo quem o incentiva a continuar nessa situação, pois o status social proporcionado pelo cargo e pela remuneração se torna o mais importante.

Oltramari também aponta que o trabalho digital, como o oferecido pela Uber, leva o dilema de renúncia de si dentro da área organizacional para classes sociais mais diversas e em teores mais profundos. Destaca que os motoristas desse aplicativo, por exemplo, acabam sofrendo a pressão de não poderem escolher quando parar, passando até 20 horas diárias trabalhando dentro da perspectiva de “só mais uma corrida” na busca por uma remuneração melhor.

A entrevistada ressalta que essa realidade exprime a fragilização das relações trabalhistas atuais, pois já não há mais um patrão em pessoa física para esse sujeito reivindicar as suas demandas, mas, sim, a interface de uma plataforma virtual. Desse modo, argumenta que a coletividade é substituída pela individualidade e o colega passa a sempre ser aquele com quem se deve competir, e nunca alguém com quem se pode colaborar.

A resistência na defesa da coletividade, enfatiza, é a principal saída para essa situação, uma vez que só é possível reconhecer o semelhante e lutar por suas demandas a partir da união. Assim, Oltramari conclui que os indivíduos se tornarão mais fortes e esse cenário poderá ser visto com mais otimismo.

Confira a entrevista completa:

O Nuevo Debate é uma parceria entre a UFPR TV e tem como objetivo a divulgação de entrevistas de acadêmicos e pesquisadores, com a finalidade de popularizar o conhecimento científico.

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