NUEVO Debate – Segregação Socioespacial e Intolerância, com a professora Dra. Silvana Marta Tumelero

Imagem: Favela da Rocinha / Rio de Janeiro – retirada do blog Rio das Ostras Jornal (s/d).

Resumo e transcrição por

Karina Rossetto Obrzut

Segundo a professora Dra. Silvana Marta Tumelero, o processo de desigualdade social do espaço é inerente à dinâmica da própria sociedade capitalista. É a partir da revolução industrial e de movimentos de urbanização, diz ela, que ocorre uma formação socioterritorial e espacial classificando áreas como nobres e outras como periféricas, que carecem de infraestrutura urbana e acesso a serviços básicos.

A pesquisadora aponta que essa segregação pode ser explicada pela dificuldade que as populações de baixa renda encontram em permanecer nas áreas mais centrais. Explica que o desenvolvimento urbano de determinadas regiões eleva o custo de vida de uma forma que o salário da maioria dos trabalhadores não acompanha, o que torna impossível residir nessas regiões dentro do padrão criado.

Além disso, a entrevistada destaca que a própria população acaba não observando essa divisão social e urbana, tendo as periferias como escolhas feitas por indivíduos que vivem à margem do trabalho e, por isso, não alcançam um status econômico e social alto. Parte dessa perspectiva meritocrática, prossegue, se deve à própria noção produzida pela sociabilidade capitalista, que valoriza o desempenho individual na ascensão socioeconômica e não leva em conta aspectos da estrutura social.

Nesse sentido, Tumelero comenta que ocorrem muitos casos de ocupações, por parte da população mais desfavorecida, em áreas próximas dos grandes centros urbanos, como terrenos abandonados e encostas. Desse modo, ela ressalta que se verifica a atuação errônea do Estado em resolver a problemática, sempre adotando o caráter repressivo e violento para essas situações.

Por fim, a professora enfatiza como as políticas públicas precisam ser democratizadas para que sejam construídas com a participação direta dos atingidos por elas. Assim, argumenta que a política urbana precisa ser pautada no diálogo com os movimentos que lutam por moradia, entendendo que as forças sociais são desiguais.

Confira a entrevista completa:

O Nuevo Debate é uma parceria entre a UFPR TV e tem como objetivo a divulgação de entrevistas de acadêmicos e pesquisadores, com a finalidade de popularizar o conhecimento científico.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s