Educação Sexista na TGA?

Fonte: Foto criada por freepik – br.freepik.com

Susane Petinelli Souza¹

Ao pensar sobre as mulheres estudiosas que contribuíram para a produção de conhecimentos considerados basilares aos futuros administradores, fui remetida às maravilhosas aulas e leituras realizadas durante o curso de graduação em Administração. Contudo, eis que ao rememorar aqueles conteúdos e os conhecimentos que compõem a chamada Teoria Geral da Administração (TGA), percebi que não recordava de muitas autoras que tratavam sobre o assunto.

Incomodada com isso, nos colocamos a mapear as mulheres que contribuíram para a TGA. Para tal empreitada, investigamos a literatura indicada em programas de disciplinas de um curso de administração de uma Universidade Federal da região Sudeste, sendo possível mapear apenas oito mulheres e suas contribuições, em meio a cerca de cinquenta homens.

Acredita-se na importância da visibilidade feminina de autoria para que, desde a formação no ensino superior, ocorra uma compreensão de que as mulheres também construíram e constroem o pensamento organizacional, apesar do que o padrão androcêntrico no campo científico vem enfatizando historicamente.

No âmbito da educação superior, um modo de promover uma educação não sexista seria, inicialmente, o cuidado com a própria linguagem e, em seguida, buscar dar visibilidade para aquelas mulheres que contribuíram para a produção de conhecimentos nas diversas áreas. O uso apenas de sobrenomes nas citações ao longo dos livros e papers contribui para a construção de um imaginário do homem branco como autor – o que remete ao uso sexista da linguagem, no qual há uma dificuldade no reconhecimento das mulheres, e contribui para a invisibilidade feminina na ciência e na história. Atrelada à invisibilidade, há uma sub-representação.

Quando professores/as selecionam conteúdos, textos para comporem suas aulas, o que ocorre é uma reprodução de saberes que, assim como em outras áreas do pensamento, ainda privilegiam o conhecimento oriundo de homens. Assim, alunos/as aceitam determinados estereótipos, dado que já estão acostumados desde o ensino infantil a processos de ensino e aprendizagem que privilegiam homens, ou ainda, processos de ensino e aprendizagem que tornam as mulheres invisíveis.

Apenas uma autora brasileira foi mapeada, tendo em vista que em outros países as mulheres tinham acesso ao sistema educacional havia décadas e considerando o contexto econômico e social na época de construção dos conteúdos da área de TGA. Quanto às demais mulheres mapeadas, pode-se afirmar que a TGA foi construída a partir de um contexto marcado por uma estrutura que produz desigualdades sociais, raciais e de gênero, pois a maioria das autoras é oriunda de países do primeiro mundo, tendendo a comporem as classes sociais elevadas em suas respectivas sociedades e a serem mulheres brancas.

Portanto, na TGA, há uma tendência a autorias no esquema homem branco, ainda que desde as primeiras escolas do pensamento organizacional, as mulheres já estivessem presentes. E acreditando que são necessárias análises que considerem os processos que compõem a formação em Administração para além de categorias previamente aceitas, fica o convite para conhecerem as mulheres mapeadas no artigo “Mulheres na teoria geral da administração: por uma educação não sexista”, em parceria com Isabel Covre.

https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistaempauta/article/view/56085

¹Professora Associada do Departamento de Administração da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Doutora em Educação.

Como citar:
SOUZA, Susane Petinelli. Educação Sexista na TGA?. In: Nuevo Blog, 16 fev. 2021. Disponível em: https://nuevoblog.com/2021/02/16/educacao-sexista-na-tga/. Acesso em: ??

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